Sialkot, Paquistão - "Olhe para estas mãos." Ansar Majeed as exibe, revelando dedos espessos e pontas endurecidas pelo trabalho de décadas costurando painéis de bolas de futebol. As marcas em suas mãos são um testemunho das dificuldades enfrentadas ao longo de sua trajetória profissional.

O centro de costura onde trabalha, repleto de conversas e muros decorados com murais pintados por sua filha, abriga cerca de 25 mulheres com idades entre 16 e 55 anos. Elas estão concentradas em suas tarefas, costurando com agulhas e linhas, um ofício que se tornou tradicional na região.

Sialkot é conhecida por sua contribuição à fabricação de bolas de futebol, tendo produzido a primeira bola oficial da Copa do Mundo em 1982. Desde então, a cidade se consolidou como um importante polo na indústria, com todas as bolas oficiais desde 2014 sendo fabricadas localmente.

No entanto, a costura manual enfrenta um declínio, com a produção automatizada e a soldagem térmica ganhando espaço. Apesar disso, a demanda por bolas de treino e souvenir durante os torneios mantém a atividade viva, embora a incerteza sobre pedidos futuros assombre as costureiras.

Ansar, que costura há 35 anos, aprendeu a profissão após seu casamento e passou a ensinar outras mulheres na comunidade. Ela lembra de tempos difíceis, com apagões frequentes e a necessidade de trabalhar longas horas para garantir a renda familiar.

O trabalho artesanal de costura de bolas de futebol, que um dia trouxe orgulho, enfrentou estigmas sociais. A luta contra o trabalho infantil na indústria começou em 1997, após um incidente que chocou o mundo e levou a ações para erradicar essa prática nas comunidades de Sialkot.

Organizações como a IMAC têm se empenhado em garantir que crianças frequentem a escola e que as comunidades se unam para eliminar o trabalho infantil, promovendo um futuro melhor para as novas gerações.