A médica e ativista paquistanesa Mahrang Baloch, conhecida por sua luta pelos direitos dos desaparecidos em Balochistão, foi condenada a prisão perpétua por um tribunal anti-terrorismo. Ela e seu colega ativista, Sibghatullah Shah, foram considerados culpados de terrorismo, sedição e assassinato após a morte de um soldado paramilitar durante um protesto em Gwadar em 2024.
A dupla nega as acusações e planeja recorrer da decisão. Em entrevista à BBC, Nadia Baloch, irmã de Mahrang, expressou a determinação da família em contestar a sentença. “Desafiamos essa decisão nas cortes superiores”, afirmou Nadia, que faz parte da equipe jurídica da irmã.
Um passado marcado pela luta
Aos 16 anos, Mahrang começou sua jornada como ativista após o desaparecimento de seu pai, Abdul Ghaffar Langove, em 2009. Três anos depois, a família recebeu a notícia de que seu corpo havia sido encontrado, identificado por suas roupas rasgadas e sinais de tortura. Desde então, Mahrang se dedicou a exigir respostas sobre os desaparecimentos forçados que afligem a região.
Milhares de pessoas, principalmente da etnia Baloch, desapareceram nas últimas duas décadas, com acusações de detenções arbitrárias e assassinatos por parte das forças de segurança paquistanesas. O governo nega as alegações, afirmando que muitos dos desaparecidos se juntaram a grupos separatistas ou fugiram do país.
Um chamado por justiça
Mahrang, que foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz no ano passado, se tornou uma das líderes mais proeminentes do movimento ao longo da última década. Sua luta é não apenas política, mas profundamente pessoal, refletindo a dor de muitas famílias que buscam por seus entes queridos desaparecidos. “Queremos o direito de viver em nossa própria terra sem perseguições”, declarou Mahrang em uma de suas últimas entrevistas.
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