Mulheres na Inglaterra estão enfrentando o maior risco de sofrer lesões graves durante o parto desde o início dos registros, em 2020, segundo dados recentes do NHS. Nos primeiros meses de 2026, a taxa de lacerações de terceiro e quarto graus aumentou para 31,1 a cada 1.000 partos, a mais alta desde o início do monitoramento.
Além disso, o índice de hemorragia pós-parto também apresentou crescimento, alcançando 31,2 por 1.000 partos, o maior registrado nos cinco anos de coleta de dados. Helen Morgan, porta-voz de saúde do Partido Liberal Democrata, destacou que por trás desses números estão mulheres enfrentando traumas inimagináveis e exigindo cirurgias, muitas vezes levando meses ou até anos para se recuperar. “Precisamos tratar os serviços de maternidade como uma crise nacional”, afirmou Morgan.
Relatório sobre cuidado materno em pauta
Os líderes do NHS e ministros estão se preparando para a publicação, na próxima terça-feira, do relatório encomendado ao governo pela Lady Amos, que abordará a situação dos cuidados no parto. Este documento deve intensificar as demandas por uma transformação significativa nos serviços de maternidade, frequentemente considerados inadequados.
Há especulações crescentes sobre a nomeação de Donna Ockenden, especialista em segurança no parto, como a primeira comissária de maternidade, com a responsabilidade de supervisionar melhorias na qualidade e segurança dos cuidados oferecidos. Ockenden já investiga outros escândalos relacionados ao parto nas regiões de Leeds e Sussex.
Preocupações com a qualidade dos dados
Um porta-voz do Departamento de Saúde e Assistência Social expressou preocupação com as tendências de lesões no parto, enfatizando que muitas mulheres estão sendo prejudicadas por cuidados de maternidade de baixa qualidade. A expansão da regra de Martha, que assegura o direito a uma segunda opinião, foi anunciada para todas as unidades de maternidade e neonatal da Inglaterra.
Dr. Kim Thomas, CEO da Birth Trauma Association, sugeriu que o aumento de lesões pode ser resultado de diagnósticos mais precisos, mas também apontou que fatores como a idade das mães e o uso frequente de fórceps podem contribuir para o aumento das lesões. Além disso, especialistas alertam que a falta de registro adequado dos partos na Inglaterra representa um obstáculo fundamental para a melhoria dos cuidados maternos.
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