A Braskem, uma das principais petroquímicas do Brasil e controlada pela Novonor (ex-Odebrecht), anunciou nesta quinta-feira (25) que iniciou negociações com bancos e credores financeiros para reestruturar suas dívidas. A empresa também protocolou um pedido de Tutela de Urgência Cautelar, que oferece uma proteção temporária, evitando que sua situação financeira se agrave durante as discussões.

Em comunicado oficial, a Braskem afirmou que essas medidas têm como objetivo "preservar um ambiente estável" para que as negociações possam avançar em busca de uma solução consensual e ordenada. Além disso, a companhia informou que seu conselho de administração aprovou a adoção de medidas protetivas no exterior, se necessário.

A empresa ressaltou que a mediação e o pedido de tutela se restringem à esfera financeira e não impactam suas obrigações com fornecedores e clientes.

Cenário Financeiro e Crise Ambiental

A Braskem está há anos buscando um comprador, uma negociação considerada vital para a Novonor, que enfrenta um processo de recuperação judicial desde as investigações da Operação Lava Jato. Recentemente, a Novonor recebeu uma proposta não vinculante de aquisição do controle da Braskem por parte do fundo de Tanure.

No entanto, a crise ambiental em Maceió (AL), onde a empresa é acusada de causar instabilidade no solo devido à extração de sal-gema, pode complicar ainda mais essa venda. A situação culminou em evacuação de cerca de 60 mil pessoas e desabamentos em áreas da cidade.

Dívidas e Estratégia de Reestruturação

Com uma dívida bruta de aproximadamente US$ 8,5 bilhões e uma alavancagem financeira de 10,59 vezes, a Braskem se vê em um cenário delicado. O presidente da empresa, Roberto Ramos, defendeu a reestruturação, enfatizando a troca de matéria-prima por fontes renováveis e minimizando a preocupação com a dívida.

Ao final do segundo trimestre, a Braskem apresentou uma posição de caixa de US$ 1,7 bilhão, sem incluir sua operação no México, Braskem Idesa, que também está buscando alternativas financeiras.