Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Aarhus fez uma descoberta significativa no combate aos poluentes conhecidos como PFAS, ou substâncias per- e polifluoroalquiladas, que são amplamente referidas como "químicos eternos" devido à sua extremada estabilidade no meio ambiente.

Esses compostos podem permanecer por décadas em suprimentos de água, ecossistemas e até mesmo no corpo humano, gerando preocupações ambientais e de saúde pública em todo o mundo. O novo estudo indica que é possível quebrar essas substâncias utilizando radicais de hidrogênio gerados pela exposição à luz ultravioleta (UV) intensa, sem a necessidade de adicionar produtos químicos ao processo.

Nova abordagem para a degradação de PFAS

A pesquisa revelou que os radicais de hidrogênio, partículas altamente reativas formadas a partir da água quando exposta à luz UV, desempenham um papel central na destruição das moléculas de PFAS. Os cientistas identificaram que este processo ocorre de maneira mais eficiente sob luz UV de alta energia, especialmente em comprimentos de onda inferiores a 300 nanômetros.

O professor associado Zongsu Wei, que liderou o estudo, destaca a importância dessa descoberta: "Sabemos que os PFAS são extremamente estáveis devido às fortes ligações carbono-flúor. Identificar os radicais de hidrogênio como um motor principal dessa degradação nos fornece uma direção clara para o desenvolvimento de tecnologias mais eficientes e sustentáveis para realmente destruir esses químicos, em vez de apenas removê-los".

Desafios e avanços na pesquisa

Embora os resultados sejam promissores, a degradação dos PFAS ainda é um processo relativamente lento e pode gerar compostos intermediários. Os pesquisadores alertam que as descobertas não representam uma solução imediata, mas fornecem uma base sólida para acelerar o desenvolvimento de tecnologias de tratamento mais eficazes.

Os PFAS são uma vasta família de produtos químicos sintéticos usados desde a década de 1940 em diversos produtos, como roupas impermeáveis, embalagens alimentícias e utensílios antiaderentes. A exposição a essas substâncias está ligada a problemas de saúde, incluindo câncer e danos ao fígado.