O diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI), Alexandre Andrade, afirmou que o próximo presidente do Brasil, a ser eleito este ano, enfrentará "discussões duras" sobre as contas públicas durante seu mandato. Em entrevista à Agência Senado, Andrade destacou que os gastos obrigatórios devem pressionar o Orçamento e diminuir a eficácia do arcabouço fiscal a partir de 2028.

Segundo Andrade, "isso envolve discussões duras, difíceis, porque afetam aposentadorias, salários de servidores públicos e benefícios assistenciais". Essa análise se baseia no Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF 113), divulgado pela IFI e que projeta um aumento da dívida bruta do governo geral, que atualmente está em 80,1% do Produto Interno Bruto (PIB), podendo chegar a 115% até 2036. Para a IFI, esse nível de endividamento é considerado "extremamente elevado" para uma economia emergente.

O diretor também alertou que a atual regra do arcabouço fiscal, que limita o crescimento das despesas da União, tende a perder força no próximo governo, levando o país a déficits primários recorrentes até 2036. "O quadro fiscal brasileiro indica um crescimento das despesas que não consegue ser compensado pelo aumento das receitas", acrescentou.

A IFI aponta que, para estabilizar a dívida pública, o Brasil precisaria alcançar um superávit primário de 2,1% do PIB anualmente, o que só seria possível a partir de 2029, mesmo em um cenário otimista. Parte significativa do problema reside no crescimento das despesas obrigatórias, que já consomem cerca de metade dos gastos da União.

Andrade também mencionou que a alta do petróleo melhorou as projeções de arrecadação para 2026, permitindo que o governo cumpra a meta fiscal do ano com uma folga de R$ 18,2 bilhões acima do mínimo exigido. No entanto, ele advertiu que o aumento nos preços do petróleo pode pressionar a inflação e, consequentemente, a economia.