Cerca de duas em cada cinco pessoas no continente americano convivem com pelo menos uma condição neurológica, como demências, tumores, epilepsia, Parkinson e problemas de neurodesenvolvimento. Isso representa aproximadamente 470 milhões de portadores dessas condições, conforme dados de um estudo conduzido pela Organização Pan-Americana da Saúde e publicado no The Lancet Regional Health.
Entre as doenças avaliadas, enxaqueca, Alzheimer e acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico e hemorrágico são as principais. Ao longo dos últimos anos, houve uma queda nas taxas de AVC e um aumento de doenças neurodegenerativas, como esclerose múltipla e doença do neurônio motor.
A transição epidemiológica se deve principalmente ao envelhecimento da população, aumento da sobrevida e melhora no diagnóstico. Indivíduos que antes enfrentavam mortalidade precoce agora sobrevivem por muito mais tempo, passando a conviver com sequelas e limitações funcionais de longo prazo.
Condições crônicas e sobrecarga no sistema de saúde
A neurologista Cristina Gonçalves Massant destaca que o aumento nos registros de transtornos do neurodesenvolvimento e de doenças neurodegenerativas ou neuromusculares se deve à maior conscientização e capacidade dos sistemas de saúde de identificar, testar e diagnosticar essas condições.
No entanto, essa situação traz uma sobrecarga e maior pressão sobre o sistema de saúde, já que condições crônicas e de longo prazo exigem cuidados continuados, tratamentos multidisciplinares e serviços de reabilitação integrados, além de grande número de profissionais capacitados.
Ações por toda a vida
O estudo propõe uma estratégia integrada ao longo do curso de vida, combinando a prevenção de fatores de risco modificáveis com o fortalecimento estrutural dos sistemas de saúde, já que em cada etapa os desafios são diferentes.
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