Uma nova pesquisa de Emily Curran, estudante de doutorado em sociologia e demografia na Universidade da Pensilvânia, investiga como a parentalidade impacta a especialização do trabalho em casais homoafetivos nos Estados Unidos. O estudo é relevante, especialmente considerando o aumento significativo no número de lares formados por casais do mesmo sexo, que saltou de pouco mais de 500 mil em 2008 para 1,2 milhão em 2021, segundo dados do Censo dos EUA.

A pesquisa, que foi premiada com o Etienne van de Walle Prize e o Outstanding Graduate Student Paper Award do Departamento de Sociologia, utiliza dados do American Community Survey do Censo dos EUA. Curran analisa o que chama de “penalidade da parentalidade”, que se refere à maneira como os casais dividem suas responsabilidades de trabalho. Os resultados mostram que casais de mulheres homoafetivas tendem a se especializar menos do que casais heterossexuais.

A influência das dinâmicas de gênero

Curiosamente, a pesquisa revela que as diferenças na especialização não se devem à ausência de um parceiro heterossexual, visto que não foram identificadas grandes diferenças entre casais masculinos homoafetivos e heterossexuais. Curran destaca que as dinâmicas de gênero dentro dos casais masculinos homoafetivos podem gerar desigualdades, influenciadas por expectativas sociais relacionadas à masculinidade.

“Meus achados sugerem que os casais demonstram maior igualdade no trabalho remunerado quando estão menos organizados por dinâmicas que alinham um parceiro mais de perto com as expectativas de gênero”, afirma Curran. Ela explica que casais masculinos com profissões de gêneros diferentes tendem a se especializar mais do que aqueles com ocupações semelhantes. No entanto, essa tendência não se aplica às mulheres homoafetivas.

Implicações para a igualdade de gênero

Além disso, Curran observa que a especialização parece ser impulsionada por questões de gênero e não apenas por fatores econômicos. Mesmo quando mulheres em casais heterossexuais têm salários mais altos, elas tendem a reduzir seu trabalho remunerado após a parentalidade. A pesquisa revela que, em casais do mesmo sexo, a diferença de idade e nível educacional é maior do que em casais heterossexuais, o que, segundo explicações econômicas, deveria levar a uma maior especialização, mas não é o que ocorre.

“Esses resultados desafiam a suposição de que a especialização é uma consequência inevitável das responsabilidades de cuidado aumentadas”, conclui Curran.