Em meio a um cenário de cortes significativos em empregos e financiamento de agências científicas nos Estados Unidos, ex-funcionários de instituições como a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) estão se mobilizando para garantir que informações sobre o clima continuem acessíveis ao público. A plataforma Climate.us, criada por integrantes da antiga equipe do Climate.gov, visa restabelecer o acesso a dados "precisos, acessíveis e rigorosamente científicos" sobre questões climáticas, incluindo ondas de calor, tempestades e elevação do nível do mar.

A iniciativa surge após a descontinuação do Climate.gov, que, em 2024, acumulou cerca de 15 milhões de acessos e estava em constante crescimento. O site foi redirecionado para uma nova plataforma controlada por nomeações políticas de uma administração que se opõe à ação climática, após a reeleição de Donald Trump em 2024.

O impacto dos cortes na pesquisa climática

De acordo com Rebecca Lindsey, diretora do Climate.us, a popularidade do Climate.gov demonstrava que a população americana busca e valoriza informações confiáveis sobre o clima. "Informações confiáveis sobre o clima não deveriam desaparecer com mudanças políticas", afirmou. A nova versão do site, que entrou no ar em 2025, agora oferece conteúdo adicional, como notícias, blogs de especialistas e recursos para sala de aula, com a participação voluntária de cientistas que validam a precisão do material.

Os cortes nos orçamentos das agências científicas, incluindo uma proposta de redução de US$ 1,6 bilhão na NOAA, levantam preocupações sobre a perda de expertise acumulada ao longo de décadas e representam uma ameaça à inovação. O diretor de dados da Partnership for Public Service, Brandon Lardy, destacou que esses cortes impactam diretamente comunidades vulneráveis, aumentando riscos relacionados à saúde e ao meio ambiente.

Consequências para os cientistas e o futuro da pesquisa

A saída de cerca de 118 mil funcionários de agências científicas entre setembro de 2024 e fevereiro de 2026, resultando em uma redução de 40% na força de trabalho dessas instituições, gerou uma verdadeira fuga de cérebros. De acordo com uma pesquisa, 75% dos cientistas dos EUA estão considerando oportunidades no exterior. Lindsey expressou preocupação com o impacto desses cortes na próxima geração de cientistas e a necessidade de preservar a pesquisa governamental em áreas críticas.