Vírus que atacam bactérias, conhecidos como fagos, conseguiram eliminar células cancerígenas em camundongos ao redirecionar a imunidade adquirida por meio de vacinas. No estudo, camundongos vacinados contra a malária foram tratados com um fago inofensivo, resultando na erradicação dos tumores em quase metade dos animais testados.
A imunoterapia, que utiliza o sistema imunológico para combater o câncer, tem revolucionado o tratamento de algumas formas da doença, mas muitos pacientes ainda não se beneficiam. Um dos principais desafios é fazer com que o sistema imunológico reconheça os tumores como alvos.
A pesquisa inovadora
O grupo liderado por Amin Hajitou, do Imperial College London, focou em um fago que normalmente infecta a bactéria E. coli. Após se ligar a essas bactérias e injetar seu material genético, o fago utiliza a maquinaria genética das células para se replicar e, em seguida, destruir as bactérias.
Os pesquisadores modificaram geneticamente o fago para reconhecer e se ligar a proteínas chamadas integrinas αvβ3 e αvβ5, que são abundantes em muitas células tumorais e escassas nas células saudáveis. Além disso, o fago foi ajustado para entregar instruções para produzir um antígeno específico da malária, um sinal molecular que o sistema imunológico reconhece como estranho.
Resultados promissores
No experimento, 60 camundongos com tumores cancerígenos foram divididos em grupos. Quinze receberam a vacina contra a malária e, duas semanas depois, foram injetados com os fagos. Desses, 44% tiveram os tumores eliminados e não apresentaram recidiva um ano após o estudo.
David Withers, da Universidade de Oxford, ressaltou que esses vírus modificados podem ser administrados sistemicamente, alcançando as células tumorais de forma mais eficiente do que as terapias atuais, que exigem injeções diretas nos tumores.
Os pesquisadores estão em negociações com a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido (MHRA) para iniciar ensaios clínicos em humanos no próximo ano.
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