Os gastos com produtos de luxo devem mostrar sinais de recuperação em 2023, com foco crescente em experiências em vez de bens materiais, de acordo com um estudo recente da Bain & Co. e Altagamma.

Após dois anos de declínio, as vendas de bens de luxo pessoal devem alcançar entre 365 bilhões e 373 bilhões de euros (cerca de US$ 413,6 bilhões a US$ 422,7 bilhões) neste ano. Entretanto, a situação no Oriente Médio, especialmente devido às tensões provocadas pela guerra no Irã, continua a impactar negativamente as vendas. Dubai, que era um dos mercados de luxo de mais rápido crescimento globalmente, ainda não demonstrou sinais de recuperação, dependendo fortemente do turismo.

Se a estabilidade na região for alcançada e a demanda na China aumentar, as vendas de bens de luxo podem apresentar crescimento em 2023, conforme o relatório.

Crescimento nos EUA e mudança de prioridades

Os Estados Unidos despontam como o principal país em crescimento no setor de luxo pela primeira vez desde 2021, impulsionados em grande parte por consumidores aspiracionais. Ao mesmo tempo, as prioridades e os hábitos de consumo dos ricos estão mudando.

Viagens, eventos e experiências gastronômicas estão se tornando mais relevantes do que a compra de produtos de status. Enquanto as vendas de bens de luxo devem crescer entre 1% e 4%, as experiências estão projetadas para um aumento de 3% a 7% neste ano, com reservas em restaurantes e entretenimento subindo cerca de 30%.

A ascensão do 'inheritourism'

Outra tendência mencionada no relatório é o 'inheritourism', onde famílias ricas viajam juntas e a geração Z adota os gostos e preferências de viagem dos pais. O turismo em destinos menos tradicionais e menos concorridos está crescendo, com um aumento de 20% nas viagens para esses locais.

As experiências de cruzeiros estão atraindo novos clientes, além dos já fiéis. A mentalidade de 'menos é mais' está impulsionando o consumo de alta gastronomia e as artes finas estão voltando a crescer. Claudia D'Arpizio, sócia sênior da Bain & Co., conclui: "Os consumidores não estão apenas gastando mais; eles estão gastando de maneira diferente, em busca de momentos que parecem pessoais e autênticos."