Os leilões de propriedades rurais retomadas por credores estão crescendo no Brasil, com um aumento significativo da inadimplência no setor agrícola. Dados compilados pela Reuters revelam que cerca de 19,6% dos empréstimos rurais estão em atraso, um aumento alarmante em relação aos 5,5% registrados há dois anos.
Fatores como a queda nos preços dos grãos, a alta taxa de juros e o aumento dos custos dos insumos, aliados a um clima cada vez mais imprevisível, têm contribuído para a falência de muitos agricultores. A expectativa de um “super El Niño” também preocupa, pois pode impactar negativamente a produtividade das safras.
Endividamento no campo
O Rio Grande do Sul é um dos estados mais afetados pela inadimplência, especialmente após as enchentes de 2024, associadas ao fenômeno El Niño. Um estudo publicado na revista “NPJ Natural Hazards” apontou que as dívidas com problemas de pagamento no crédito rural ultrapassaram R$ 171,2 bilhões no início de 2025.
Guilherme Campos, secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, enfatizou a gravidade da situação: "Este momento de endividamento no campo é um momento extremamente delicado".
Aumento nos leilões
Os credores têm acelerado a execução de garantias, resultando em um aumento no número de propriedades levadas a leilão. Em 2025, o volume de leilões atingiu 14.219 propriedades, um crescimento de 30% em relação ao ano anterior. As propriedades leiloadas por processos extrajudiciais quase dobraram, totalizando 2.398 no ano passado.
Marcelo Pimenta, responsável pelo setor de agronegócio da Serasa Experian, destacou que a combinação de fatores climáticos adversos, a queda nos preços das exportações agrícolas e o aumento da taxa básica de juros, que saltou de 2% para 15% nos últimos cinco anos, tem dificultado o pagamento das dívidas.
Desafios enfrentados pelos agricultores
Um agricultor do Rio Grande do Sul, que preferiu não ser identificado, relatou a dificuldade em lidar com juros altos após perdas severas devido a eventos climáticos extremos. Ele afirmou que um credor já tomou posse de mais da metade de sua propriedade: "A mudança climática é evidente e está afetando nossa capacidade de produção".
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