A localização de quase 300 pessoas que testaram positivo para Ebola na República Democrática do Congo (RDC) é desconhecida, conforme informou Dr. Jean Kaseya, diretor-geral dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças da África (CDC), em declaração feita na quinta-feira. A crise humanitária agravada pelos conflitos nas áreas afetadas impede o acesso de trabalhadores de saúde a mais de 1 milhão de pessoas que vivem em acampamentos.

As previsões do escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) na África, publicadas na revista Lancet Infectious Diseases, indicam que até meados de setembro haverá cerca de 8.210 casos e 1.420 mortes. O modelo sugere que há 70% de chance de que o surto se espalhe para o Sudão do Sul nas próximas semanas.

Até o momento, a RDC registrou 1.118 casos confirmados e 291 mortes, além de 20 casos e duas mortes na Uganda vizinha. Na quarta-feira, a França anunciou que um médico que havia trabalhado na RDC testou positivo ao retornar ao país. A ONG médica Alima, empregadora do profissional, afirmou estar “trabalhando para entender como a contaminação pode ter ocorrido”.

Dados sobre a recuperação de pacientes e aqueles em tratamento indicam que 297 pessoas que testaram positivo estão desaparecidas. “Essa é uma preocupação que temos. Onde estão essas pessoas?”, questionou Kaseya.

As autoridades da RDC informaram que qualquer pessoa que tenha estado em províncias afetadas precisaria esperar 21 dias antes de poder viajar. O surto, causado pela cepa Bundibugyo do vírus, é o maior já registrado nas cinco semanas após sua declaração.

A OMS utilizou modelos computacionais para simular três cenários de transmissibilidade – baixo, central ou alto. Sinais indicam que a resposta da RDC está funcionando para desacelerar a transmissão. Segundo Kaseya, 30% dos novos casos são de contatos conhecidos de casos confirmados, o que indica uma “transmissão comunitária enorme”. As autoridades pretendem recrutar 20.000 trabalhadores de saúde comunitários para fortalecer os esforços de rastreamento de contatos.

A ocupação nas unidades de tratamento de Ebola está em 95% e “ainda não chegamos ao pico”, acrescentou Kaseya. Ele destacou que os acampamentos onde vivem deslocados têm casos confirmados, e a falta de acesso a esses locais impede o rastreamento de contatos e o controle do surto.

A previsão de gastos em saúde para enfrentar a epidemia é de 518 milhões de dólares, conforme afirmaram a África CDC e a OMS. Com as necessidades humanitárias, o total pode chegar a 1,4 bilhão de dólares, segundo Kaseya, que mencionou que apenas 13% dos 910 milhões de dólares prometidos por governos e organizações internacionais foram efetivamente disponibilizados.

Na próxima semana, começará o primeiro teste de medicamentos que podem tratar o vírus Bundibugyo, enquanto um teste de um antiviral que visa prevenir a doença em contatos começará uma semana depois.