O primeiro-ministro húngaro, Peter Magyar, está promovendo uma rápida agenda de reformas em seu governo, com o objetivo de desmantelar o sistema estabelecido por seu antecessor, Viktor Orban. Em suas primeiras semanas no cargo, Magyar eliminou bloqueios da União Europeia que haviam sido impostos por Orban e iniciou um diálogo com a Ucrânia, país que o ex-primeiro-ministro havia rotulado como "Império do Mal".

Na Hungria, o Parlamento aprovou cortes nos salários de parlamentares e ministros, assim como a limitação do mandato do primeiro-ministro a dois períodos. Essas mudanças, embora simbólicas, foram apenas o início de um esforço mais profundo para reverter as políticas de Orban.

Desmantelando estruturas de poder

Com uma maioria confortável de dois terços no Parlamento, o governo de Magyar pode agora desmontar as estruturas que Orban havia criado. Em um discurso recente, Magyar descreveu o estilo de governo de Orban como um "sistema mafioso" e anunciou a "Operação Purgatório", um plano para erradicar completamente essa abordagem.

Ele prometeu investigações abrangentes para apurar como familiares e aliados de Orban, assim como oligarcas, enriqueceram ilicitamente durante seu governo. Além disso, Magyar se comprometeu a reformar instituições estatais, o judiciário e a mídia para evitar um retorno ao controle político das instituições.

Pacote de leis anticorrupção

Na terça-feira, o Parlamento aprovou um pacote de leis voltadas para a "Operação Purgatório", incluindo medidas anticorrupção necessárias para que a União Europeia libere cerca de 17 bilhões de euros em fundos congelados devido a riscos de corrupção durante a gestão de Orban.

Entre as medidas, destaca-se a extinção das fundações de gestão de ativos de interesse público, criadas por Orban para transferir grandes quantidades de bens públicos para mãos privadas. Essas fundações são vistas como símbolos do sistema de cleptocracia instaurado por Orban.

Reformas na mídia e justiça

As reformas também incluem a reestruturação da mídia pública, que se tornou um veículo de propaganda durante o governo de Orban, e a criação do Escritório para a Recuperação e Proteção de Ativos Nacionais, uma iniciativa considerada crucial para devolver os bilhões desviados durante a era Orban.

Magyar enfrenta o desafio de navegar por um cenário político complexo, buscando reverter rapidamente os danos causados pelo governo anterior, enquanto evita uma nova onda populista e respeita as normas constitucionais.