O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, respondeu na terça-feira (23) à carta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na qual o congressista pedia a suspensão de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Em sua resposta, Rubio reafirmou a posição do governo Trump em favor da aplicação dessas tarifas.

Na correspondência enviada no início de junho, Flávio argumentou que a imposição de tarifas causaria "sérios danos" à população brasileira e expressou confiança em sua candidatura à presidência nas eleições de outubro. Ele sugeriu a criação de uma equipe de transição para facilitar o diálogo entre um possível governo seu e a administração Trump. Contudo, Rubio agradeceu a proposta, mas não indicou qualquer alteração na política comercial dos EUA.

Além de manter a postura em relação às tarifas, Rubio elogiou o apoio de Flávio à decisão dos EUA de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O secretário destacou que as investigações comerciais continuam a apontar irregularidades relacionadas ao Brasil, e que a decisão sobre eventuais sanções cabe ao USTR, escritório responsável pela política comercial americana.

Rubio também reiterou preocupações em relação a temas como comércio digital, sistemas de pagamento eletrônico, proteção à propriedade intelectual e desmatamento ilegal. Ele informou que qualquer interessado poderá participar da consulta pública e audiência organizada pelo USTR, com prazos para envio de manifestações até 1º de julho e audiência em 6 de julho. Flávio anunciou que viajará aos EUA para participar da audiência, buscando convencer autoridades americanas a reconsiderar as tarifas propostas.

A investigação aberta em 2025 sugere uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, entre outras sanções, levantando preocupações sobre o combate à corrupção e trabalho forçado. O governo Lula já classificou as propostas de taxação como "injustificáveis", acusando aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro de colaborarem com as ações dos EUA.