O advogado venezuelano Ricardo Alurralde, de 38 anos, compartilhou suas impressões sobre as dificuldades enfrentadas pelas autoridades na resposta aos terremotos que abalaram a Venezuela na noite da última quarta-feira, 24. Em entrevista ao g1, Alurralde destacou que bombeiros, agentes da Defesa Civil e policiais estão operando com recursos limitados.
“Na Venezuela, costumamos dizer que estão trabalhando com as unhas”, afirmou, referindo-se ao esforço das equipes de resgate em realizar suas atividades com a mínima estrutura disponível. Dois terremotos, com magnitudes de 7,2 e 7,5, foram registrados em um intervalo de menos de um minuto, resultando em 235 mortes e 1.520 feridos até a última atualização.
Alurralde, que reside na zona leste de Caracas, presenciou os momentos que se seguiram ao tremor. Ele relatou que os bombeiros utilizaram lanternas de celulares para iluminar as áreas de busca e removeram os escombros manualmente. “As pedras e os destroços eram carregados com as mãos”, contou.
Na avaliação do advogado, a falta de máquinas pesadas tem dificultado a resposta à tragédia, especialmente em locais como La Guaira, que sofreu grande destruição. “Ainda não vi equipamentos desse tipo sendo usados em Caracas. Há uma carência muito grande de estrutura”, enfatizou.
Durante o tremor, a família de Alurralde não sofreu ferimentos, embora seu apartamento tenha apresentado pequenas fissuras e alguns vidros quebrados. Ele estava preparando um churrasco quando recebeu um alerta sobre a possibilidade de um terremoto. Após o abalo principal, a madrugada foi marcada por várias réplicas, com Alurralde sentindo entre cinco e seis novos tremores.
O governo venezuelano decretou estado de emergência e fez um pronunciamento oficial, mas muitos moradores percebem que a capacidade de resposta está aquém das necessidades diante dos danos causados.
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