As altas temperaturas estão afetando não apenas o clima, mas também a saúde mental das pessoas. Recentemente, o Reino Unido registrou a temperatura mais alta de junho, alcançando 36,1 °C, o que trouxe à tona a preocupação com as consequências do calor extremo.

A Organização Meteorológica do Reino Unido observa que as temperaturas médias em junho variavam em torno de 19 °C entre 1991 e 2020, evidenciando a anomalia atual. As ondas de calor podem resultar em milhares de mortes e impactar severamente a agricultura e sistemas de saúde.

Além do desconforto físico, o calor pode prejudicar a capacidade cognitiva. A psicóloga cognitiva Catherine Thompson, da Liverpool Hope University, aponta que sua pesquisa com bombeiros expostos a altas temperaturas revelou dificuldades de concentração e controle de atenção após apenas 15 minutos em calor intenso. O retorno ao normal ocorre cerca de 20 minutos após resfriamento, mas os efeitos de ondas de calor prolongadas ainda não são totalmente compreendidos.

Estudos indicam que o aumento da temperatura está associado a piores resultados em saúde mental, especialmente entre aqueles com transtornos psicológicos. Um estudo recente da Universidade de Oxford revelou um aumento de 9,7% nas internações hospitalares durante ondas de calor para pessoas com condições mentais.

Pessoas com esquizofrenia, por exemplo, apresentaram três vezes mais chances de morrer durante uma onda de calor recorde no Canadá em 2021. A pesquisa sugere que crianças e jovens são particularmente vulneráveis aos efeitos do calor, com um aumento de 2,97% na taxa de suicídios entre jovens de 15 a 24 anos a cada aumento de 1 °C na temperatura média.

Com as mudanças climáticas, a compreensão de como o calor afeta nosso cérebro se torna cada vez mais urgente. O impacto do calor na saúde mental é um desafio que demanda atenção e adaptação a um mundo em aquecimento.