A onda de calor que afeta a Europa Ocidental é a mais severa e abrangente já registrada, e sua ocorrência está diretamente relacionada à crise climática provocada pela queima de combustíveis fósseis, conforme análise de cientistas do consórcio World Weather Attribution (WWA).

Quase metade das 850 maiores cidades do continente enfrenta o maior estresse térmico de sua história, que combina temperatura e umidade, tornando a situação ainda mais perigosa. Com o aumento da umidade, o suor se torna menos eficaz para resfriar o corpo, elevando os riscos à saúde.

Recentemente, o Reino Unido registrou a temperatura mais alta de junho já registrada, com 36,4°C em Somerset. Este cenário está acompanhado de um aumento significativo nas emergências médicas em várias regiões, incluindo mortes atribuídas ao calor. Em 2022, mais de 60 mil pessoas morreram na Europa devido a ondas de calor.

O Dr. Theodore Keeping, pesquisador do Imperial College London e membro da equipe do WWA, destacou que a probabilidade de eventos como o atual aumentou drasticamente nos últimos 50 anos, tornando-os impossíveis sem a influência das mudanças climáticas. Ele alertou que, sem ações urgentes, as futuras ondas de calor poderão ser ainda mais extremas.

Impactos e Respostas Sociais

As condições de calor extremo estão afetando a vida cotidiana, com escolas fechadas e cancelamentos de voos e trens em todo o continente. Carolina Pereira Marghidan, do Centro de Clima da Cruz Vermelha, enfatizou a necessidade de investimentos em infraestrutura resiliente ao calor para proteger as populações vulneráveis.

O governo britânico, por meio do Climate Change Committee, alertou que a infraestrutura do país não está preparada para o clima atual, necessitando de melhorias urgentes para proteger a população dos efeitos da crise climática.