Um novo estudo divulgado pelo grupo World Weather Attribution aponta que a onda de calor recorde que atinge a Europa seria 'quase impossível' sem as mudanças climáticas causadas pela atividade humana. Os pesquisadores afirmam que a probabilidade de ocorrências de temperaturas extremas aumentou até 200 vezes em comparação com duas décadas atrás.
Atualmente, milhões de pessoas em países como França, Itália, Espanha e Reino Unido enfrentam temperaturas superiores a 40 graus Celsius, com noites quentes dificultando a recuperação do calor. De acordo com a pesquisa, quase metade das 850 cidades analisadas na Europa já alcançou ou deve alcançar níveis recordes de estresse térmico, que consideram a combinação de temperatura e umidade.
“Cientistas como eu estão começando a soar como um disco arranhado”, declarou Friederike Otto, professora de ciência climática no Imperial College London. “Sim, isso é mudança climática, sim, somos nós, não, não é El Niño. Sim, temos as soluções. Não, não estamos implementando-as rapidamente o suficiente.”
Medidas de emergência e impactos na saúde
Para conter os efeitos do calor extremo, as autoridades francesas decidiram proibir o consumo público de álcool em Paris a partir de sexta-feira, devido ao aumento das internações hospitalares. O chefe da polícia parisiense, Patrice Faure, afirmou que a situação nos hospitais está próxima da saturação.
Em Londres, o Serviço de Ambulâncias registrou o maior número de emergências de vida ameaçadora em um único dia, atribuindo isso ao calor extremo. O escritório de meteorologia britânico também estendeu o alerta vermelho de calor, um fenômeno raro no Reino Unido.
Impactos na infraestrutura e na saúde pública
A situação é crítica em várias partes da Europa, com a França fechando reatores nucleares devido ao aumento das temperaturas dos rios, que ultrapassam os limites ambientais. Estimativas indicam que a onda de calor pode ter contribuído para 212 mortes na Espanha nos últimos dias.
Com a previsão de temperaturas extremas persistindo, a Europa se prepara para enfrentar mais desafios relacionados à saúde e à infraestrutura, em um cenário que evidencia a urgência de ações contra as mudanças climáticas.
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