O bico-preto (Estrilda latidens), ave que ficou ausente dos registros científicos por mais de sete décadas, foi recentemente redescoberto em uma área pantanosa da República Democrática do Congo. Pesquisadores conseguiram publicar as primeiras fotografias nítidas do pássaro em seu habitat natural.
O bico-preto foi descrito pela primeira vez em 1927 pelo ornitólogo James Chapin, que liderava uma expedição do Museu Americano de História Natural. Durante suas observações nas proximidades do rio Lualaba, Chapin notou características que diferenciavam essas aves dos bicos-comuns, incluindo bicos curtos, bochechas cinzas e manchas pretas ao redor dos olhos. Desde sua identificação inicial, a ave havia sido documentada em apenas três outras ocasiões, sendo a última em 1950.
Foi somente em 2023 que o bico-preto foi avistado novamente, desta vez pelo biólogo Manuel Weber, que na época era estagiário no Parque Nacional de Upemba. Embora as primeiras fotos fossem desfocadas, elas confirmaram a sobrevivência da espécie. Em novembro, Weber conseguiu capturar imagens mais nítidas do bico-preto em seu habitat natural.
O Parque Nacional de Upemba divulgou as novas fotografias semanas após um ataque violento de uma milícia armada. Em 3 de março, cerca de 80 combatentes armados com facões, metralhadoras e granadas atacaram a sede do parque, resultando na morte de sete pessoas, incluindo um veterinário de 28 anos. As autoridades alertam que alguns grupos armados se refugiam no parque, onde lucram com a caça ilegal.
Weber destacou que a caça predatória continua a ameaçar diversas espécies locais, como o antílope Upemba, búfalos, zebras e elefantes. Cientistas afirmam que a República Democrática do Congo abriga mais aves perdidas do que quase qualquer outra região do mundo, o que torna ainda mais urgente a busca e documentação de animais raros.
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