A polícia de Quênia isolou importantes estradas que levam ao centro de Nairóbi em preparação para protestos programados, que marcam dois anos desde as manifestações lideradas pela Geração Z que resultaram em mortes.

Em junho de 2024, milhares de quenianos se mobilizaram contra propostas de aumento de impostos, culminando na invasão do parlamento e na retirada de um polêmico projeto de lei financeira. Os manifestantes exigem justiça para mais de 80 pessoas que perderam a vida e dezenas que ficaram feridas durante as manifestações anti-impostos de 2024 e os protestos do ano passado.

Nesta quinta-feira, muitos passageiros ficaram presos devido aos bloqueios da polícia, que impediram o acesso ao centro da cidade, enquanto diversas escolas e estabelecimentos comerciais permaneceram fechados.

Preparativos para os Protestos

Os protestos, que têm sido amplamente organizados por meio de redes sociais, devem ocorrer em várias cidades, incluindo Nairóbi, Mombaça e áreas do centro do Quênia. As forças de segurança intensificaram a vigilância nas principais áreas urbanas, com uma presença policial significativa esperada em pontos estratégicos da capital.

Imagens de uma emissora local mostraram fumaça e fogo na área de Githurai, onde manifestantes entraram em confronto com a polícia. A polícia também usou gás lacrimogêneo para dispersar os aglomerados. Várias pessoas foram detidas ao tentarem acessar Nairóbi.

Apelo por Memória e Justiça

Familiares de vítimas das manifestações de 2024 pediram ao governo que permita uma lembrança pacífica de seus entes queridos. “Não queremos gás lacrimogêneo e batalhas nas ruas. Já estamos muito velhos para isso”, declarou um dos pais.

Líderes da oposição, como Kalonzo Musyoka e Martha Karua, se uniram aos familiares das vítimas para prestar homenagens no parlamento. O presidente William Ruto afirmou que o direito ao protesto é legítimo, porém alertou que atos de vandalismo ou violência não serão tolerados.

Descontentamento e Compensações

Na semana passada, Ruto anunciou um fundo de cerca de 15 milhões de dólares para compensar quase 2 mil vítimas de abusos de direitos humanos relacionados a protestos entre 2017 e 2025. No entanto, organizações de direitos humanos criticaram o plano, alegando exclusão de vítimas e falta de transparência.

Com a crescente insatisfação pública à medida que se aproximam as eleições de 2027, Ruto defende que sua administração cumpriu promessas de campanha e está preparado para justificar seu histórico ao buscar a reeleição.