Pesquisadores do John Innes Center, da Universidade de Munique e da Universidade de Leiden revelaram como as bactérias utilizam relógios circadianos para controlar a expansão de suas colônias multicelulares. Os resultados da pesquisa, publicada na revista Nature Communications, oferecem pistas valiosas sobre a melhoria da saúde do solo e do crescimento de plantas, além de elucidar a disseminação de infecções adquiridas em hospitais.

Os relógios circadianos, que regulam muitos processos biológicos em sintonia com o ciclo solar de 24 horas, foram identificados no Bacillus subtilis, uma das primeiras bactérias não fotossintéticas a apresentar esse mecanismo. Pesquisas anteriores nos EUA e na Argentina já haviam encontrado relógios em bactérias associadas a humanos, indicando que esses mecanismos são comuns entre as bactérias.

O estudo focou na formação de anéis concêntricos que B. subtilis cria ao se espalhar em placas de gel de ágar, semelhante aos anéis de decomposição causados por fungos. Em condições constantes, os pesquisadores observaram que a colônia se expandia em uma taxa de um anel por dia.

Experimentos variando a luz (azul e vermelha) e temperatura mostraram que os anéis se formavam diariamente sob diferentes condições, reforçando a ideia de um relógio interno. Adicionalmente, técnicas de bioluminescência demonstraram que genes relacionados à formação de biofilmes e esporulação eram expressos em horários específicos ao longo de 24 horas.

Dr. Jack Dorling, autor do estudo, destacou: "O relógio organiza as colônias de Bacillus subtilis e estrutura a expressão gênica de acordo com a hora do dia, sugerindo um papel importante na ecologia dos microrganismos do solo e no suporte ao crescimento das plantas."

O consórcio MicroClock continua a investigar os mecanismos desse relógio e suas implicações para a ecologia e evolução das bactérias. Professor Antony Dodd, do John Innes Center, comentou sobre a colaboração eficaz entre as instituições, ressaltando os avanços na pesquisa ao longo de dez anos.

As descobertas sobre o B. subtilis abrem novas avenues para a cronobiologia, com potenciais benefícios para a biotecnologia e medicina humana, conforme a professora Martha Merrow, da Universidade de Munique, enfatiza o desejo de explorar esses mecanismos em outras bactérias.