A Saudi Aramco, a maior exportadora de petróleo do mundo, retomou na última sexta-feira (27) os carregamentos de petróleo bruto em seu terminal de Ras Tanura, localizado na costa leste da Arábia Saudita, após uma pausa de quase quatro meses. Segundo dados de transporte, a empresa se juntou a um movimento crescente de envio de cargas, em meio a esperanças na indústria de um retorno à normalidade.

A decisão de retomar os carregamentos ocorre mesmo após um navio da Evergreen Marine, de Taiwan, ter sido atingido por um objeto desconhecido no Estreito de Ormuz na quinta-feira. Os produtores do Oriente Médio têm aumentado a produção e as exportações de petróleo e gás em preparação para um acordo provisório entre os Estados Unidos e o Irã, que visa encerrar o conflito e reabrir o estreito, por onde passava um quinto do petróleo e gás natural liquefeito do mundo.

Operações em Ras Tanura

De acordo com os dados, dois Very Large Crude Carriers (VLCCs) operados pela Bahri, braço de transporte da Arábia Saudita, estavam carregando petróleo em Ras Tanura, enquanto outro se dirigia ao terminal, e um quarto VLCC aguardava nas proximidades. Cada um desses petroleiros tem capacidade para carregar até 2 milhões de barris de petróleo.

A Aramco, que é uma das últimas grandes produtoras do Golfo a retomar as exportações na região, não se pronunciou sobre a questão. A agência da Marinha Britânica, UKMTO, interrompeu suas operações de escolta de navios pelo estreito após o ataque ao navio, levantando novas preocupações sobre a estabilidade do acordo preliminar para acabar com a guerra no Irã.

Impactos no mercado global

Os preços do petróleo global caíram mais de US$ 1 por barril na sexta-feira, após um leve aumento relacionado ao ataque. A pressão sobre a oferta está aumentando, uma vez que os carregamentos de petróleo pelo estreito atingiram seus níveis mais altos desde o início do conflito. A Aramco pode reduzir drasticamente os preços em agosto, em meio à intensificação da concorrência entre os produtores.

A consultoria Rystad Energy estima que a produção interrompida no Golfo caiu para 9,6 milhões de barris por dia em meados de junho, uma queda em relação aos 11,7 milhões de barris por dia três semanas antes. A expectativa é de uma recuperação total da oferta na região até o final do ano.