Na quarta-feira (24), dois terremotos de grande magnitude atingiram a Venezuela, resultando em mais de 100 mortes e cerca de 1,5 mil feridos. Os abalos foram perceptíveis em várias regiões do Norte do Brasil, mas com intensidades distintas. Em Roraima, estado que faz fronteira com a Venezuela, os relatos foram de tremores leves, enquanto no Amazonas, moradores sentiram os objetos balançando e houve evacuação de prédios.

Fatores que influenciam a percepção dos tremores

O pesquisador José Alexandre Nogueira, do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), elucidou que a diferença na sensação dos tremores está relacionada à distância do epicentro, ao tipo de solo e às características geológicas de cada local. Roraima é composto por rochas cristalinas antigas e densas, que atenuam as ondas sísmicas, ao contrário de Manaus, que está na Bacia Sedimentar do Amazonas, onde o solo sedimentar amplifica os tremores.

Nogueira também apontou que a estrutura das cidades influencia a forma como os abalos são sentidos. Manaus, com seus prédios altos, permite uma maior percepção dos tremores, enquanto Boa Vista, que tem maior número de construções térreas, apresenta uma sensação diminuída.

Impacto do horário e resposta das autoridades

O horário em que os terremotos ocorreram, pouco após as 19h, durante a partida da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026, pode ter contribuído para que muitos em Roraima não percebessem os tremores, uma vez que as pessoas estavam em casa relaxando.

Os tremores na Venezuela, que tiveram epicentro próximo a Caracas, foram os mais fortes registrados no país em mais de um século, provocando destruição e levando a presidente interina, Delcy Rodríguez, a decretar estado de emergência. O Itamaraty informou que, até o momento, não há brasileiros entre as vítimas.