O presidente da China, Xi Jinping, recebeu na última sexta-feira o primeiro-ministro de Bangladesh, Tarique Rahman, em mais uma de uma série de reuniões com líderes globais ao longo deste ano. Essas visitas refletem a estratégia de Xi de ampliar a influência da China e construir laços econômicos mais sólidos, ao mesmo tempo em que busca "mudar o equilíbrio de poder" em relação ao Ocidente.
A visita de Rahman ocorreu menos de duas semanas após a recepção do presidente de fato de Mianmar, Min Aung Hlaing, em Beijing. Em maio, Xi já havia acolhido líderes de países como Estados Unidos, Rússia, Brunei, Sérvia, Tajiquistão e Paquistão, além de ter recebido diversos ministros das Relações Exteriores para reuniões de menor nível.
Até o momento, mais de uma dúzia de líderes globais, incluindo o presidente da Rússia, Vladimir Putin, o líder do Partido Trabalhista do Reino Unido, Keir Starmer, e o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, visitaram a capital chinesa. William Yang, analista sênior do International Crisis Group, afirma que a lista crescente de visitas a Beijing demonstra o reconhecimento global do aumento da influência da China.
Os encontros têm sido vistos como uma oportunidade para países de "médio porte" estabelecerem relações independentes com Beijing, em um contexto de incerteza em relação à postura dos EUA. Segundo Yang, a China aproveita essas visitas para promover a alternativa de uma ordem mundial multipolar, ao mesmo tempo em que mina a confiança desses países em relação aos Estados Unidos.
Embora Xi tenha recebido líderes de nações ricas, ele também tem buscado estreitar laços com países em desenvolvimento e regimes autoritários, como evidenciado pela recepção de Min Aung Hlaing, que enfrenta acusações de violações de direitos humanos e foi recebido com honras em Beijing. Essa postura reflete a estratégia de Xi de influenciar a ordem internacional, defendendo que nenhum país deve ditar como os outros gerenciam seus assuntos internos.
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