A maioria dos políticos eleitos pelo PL em 2026 não aderiu à carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro após sua derrota na disputa pela Presidência da República. Levantamento publicado pelo jornal O Globo neste sábado, 31, aponta que 117 dos 155 representantes da legenda eleitos para o Congresso Nacional e governos estaduais, o equivalente a 75% do total, não compartilharam nem manifestaram apoio ao documento.

Resistência dentro do próprio partido

O levantamento considera 121 deputados federais, 28 senadores e seis governadores. A baixa adesão ao documento ocorre em meio à tentativa de dirigentes do PL de conter os questionamentos de Flávio sobre a eleição. Integrantes da legenda avaliam que a insistência na tese de fraude, sem apresentação de provas, pode prejudicar a reorganização da oposição e dificultar futuras articulações políticas no Congresso Nacional.

Entre os parlamentares que manifestaram apoio à carta estão os senadores Magno Malta (ES) e Jorge Seif (SC), além dos deputados Gustavo Gayer (GO), José Medeiros (MT) e Nikolas Ferreira (MG). A deputada Magda Mofatto (GO) também compartilhou o documento e incentivou sua divulgação dentro e fora do Brasil. Gayer, por sua vez, sustentou que o resultado eleitoral seria matematicamente impossível, enquanto Magno Malta levantou suspeitas sobre a votação.

Reconhecimento da vitória de Lula

Outro dado identificado pelo jornal é que 86% dos eleitos pelo PL não reconheceram publicamente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em suas manifestações após o segundo turno. O percentual, entretanto, não significa que todos concordem com as acusações de fraude: o grupo também reúne políticos que preferiram não comentar o resultado ou apenas lamentaram a derrota de Flávio. Entre os integrantes da legenda que reconheceram expressamente a vitória do petista estão o senador Marcio Bittar (AC) e os deputados André Fernandes (CE), Major Vitor Hugo (GO) e Rosangela Moro (PR).

Major Vitor Hugo afirmou que a diferença superior a quatro milhões de votos e o reconhecimento do resultado pelas instituições tornam difícil qualquer tentativa de reversão. Já André Fernandes declarou que não pretende alimentar discussões sobre fraude ou golpe, embora tenha atribuído a derrota de Flávio à atuação da campanha adversária. O próprio Nikolas Ferreira, que comentou a carta, também reconheceu a dificuldade de anular a eleição: “Conhecendo o nosso país, a chance de anular é praticamente nula, então temos que seguir”.