A morte do médico nefrologista Júlio César Soares Barreto, de 57 anos, transformou o luto da família em um gesto que pode dar uma nova chance de vida a outras pessoas. Após a morte dele, no último sábado, 31, em Goiânia, a esposa, a professora doutora e enfermeira Regiane Santos Soares Barreto, e os filhos autorizaram a doação dos órgãos.
Convicção profissional e pessoal
Júlio sofreu um mal súbito e teve uma parada cardíaca em casa. A perda foi repentina para a família, mas a decisão de doar os órgãos estava ligada a uma convicção que fazia parte da vida do casal. Além de trabalhar como enfermeira e professora doutora da Universidade Federal de Goiás (UFG), Regiane também desenvolve atividades de ensino e pesquisa relacionadas à doação e aos transplantes. O marido, por sua vez, atuava como nefrologista em equipes de transplante renal.
“Ele era médico nefrologista da equipe de transplantes do HGG há muitos anos. Na vida dele, tem mais de 400 pacientes transplantados”, conta Regiane. Segundo ela, somente em 2026, a equipe da qual Júlio fazia parte realizou mais de 160 transplantes. A experiência profissional dos dois também fez com que a doação de órgãos fosse um assunto frequente dentro de casa. Mais do que conversar sobre o tema, eles o tratavam como uma missão.
“Não só conversávamos, a gente ensinava. Tínhamos isso como missão de vida”, afirma. A professora explica que a decisão da família não foi motivada apenas pelo desejo que Júlio já havia manifestado em vida, mas também pelo trabalho que os dois desenvolviam diariamente junto à Central de Transplantes. Para ela, a divulgação do caso pode ajudar a ampliar a conscientização sobre a importância de autorizar a doação.
Impacto da doação
A família já recebeu a informação de que um dos rins foi destinado a um paciente que estava na fila de transplantes atendida pela equipe em que Júlio trabalhava. O fígado também já foi transplantado. As duas córneas e o outro rim foram disponibilizados para pacientes que aguardavam pelos procedimentos. O coração e os pulmões, entretanto, não puderam ser aproveitados devido ao tempo de duração da parada cardíaca.
“Um desses rins foi para um paciente deles, da fila deles. Isso nos deixa mais felizes ainda. A gente já ficou sabendo que o fígado também foi transplantado”, relata Regiane. Segundo ela, a possibilidade de ajudar pessoas que dependiam de um transplante trouxe algum conforto em meio à dor da perda. Os rins podem permitir que dois pacientes deixem a hemodiálise, enquanto as córneas podem devolver a visão a outras pessoas.
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