Os ecossistemas de água doce em todo o mundo enfrentam a ameaça da desoxigenação, um processo que reduz os níveis de oxigênio e compromete a biodiversidade e a estabilidade dos ecossistemas. Contudo, um novo estudo publicado na revista Nature Geoscience traz esperança ao mostrar que a gestão direcionada de nutrientes por meio do controle de esgotos pode reverter essa tendência, mesmo diante do aquecimento climático acelerado.

Resultados de 18 anos de pesquisa

Conduzido pelo Professor Zhou Yongqiang, do Instituto de Geografia e Limnologia de Nanjing da Academia Chinesa de Ciências, o estudo analisou dados mensais de 972 rios e 354 lagos na China ao longo de 18 anos (2005–2022). Os pesquisadores desafiam a narrativa de que a desoxigenação aquática é uma consequência inevitável do desenvolvimento humano e do aquecimento global.

Aumento dos níveis de oxigênio

Ainda que as águas superficiais tenham aquecido em 1,2°C por década, um índice superior à média global, os pesquisadores observaram um aumento nas concentrações de oxigênio dissolvido (OD) nas águas interiores da China durante o período estudado. Em rios, os níveis de OD aumentaram, em média, 0,93 mg/L por década, enquanto em lagos, a elevação foi de 0,38 mg/L por década.

Impacto da redução da poluição

Os pesquisadores identificaram que a principal causa dessa recuperação não foi o aumento da fotossíntese, mas sim a diminuição da poluição orgânica. A redução na demanda bioquímica de oxigênio (DBO), amônio e demanda química de oxigênio (DCO) foi crucial para o aumento dos níveis de OD. As melhorias na qualidade da água são atribuídas ao grande investimento da China em restauração ambiental, que cresceu de 1 trilhão para 10 trilhões de RMB entre 2000 e 2022.

Desafios e otimismo para o futuro

Embora o estudo indique que a recuperação é mais forte em pequenos riachos e nas zonas temperadas centrais do país, ainda existem desafios em áreas afetadas pela poluição agrícola. Segundo Zhou, esses resultados oferecem otimismo para os esforços globais de restauração, destacando que uma gestão eficaz da qualidade da água pode proteger a vida aquática e reduzir o risco de desoxigenação, mesmo com as mudanças climáticas.