As previsões para a ocorrência de um super El Niño no segundo semestre de 2023 estão gerando inquietação no setor agrícola. O fenômeno, que consiste no aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico, pode impactar as condições climáticas em várias partes do mundo, afetando diretamente a produção de safras tropicais.
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático que ocorre naturalmente a cada dois a sete anos, caracterizado pelo aquecimento da superfície do mar no Pacífico oriental, resultante do enfraquecimento dos ventos alísios. Geralmente, causa aumento nas temperaturas globais, secas em regiões como o Sul da Ásia e chuvas intensas em outras áreas, incluindo a América do Sul e os Estados Unidos.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) anunciou recentemente que o El Niño começou e prevê uma probabilidade de 63% de que ele atinja níveis considerados muito fortes até 2027. As condições climáticas adversas que este fenômeno traz podem prejudicar ainda mais os agricultores, que já enfrentam problemas com os preços de insumos devido a conflitos globais.
Impactos nas safras
A produção de cacau, por exemplo, é especialmente vulnerável, com dados da empresa WisdomTree indicando que todos os episódios fortes de El Niño nos últimos 55 anos resultaram em queda na produção. A atual safra, que passou por chuvas excessivas, foi seguida por uma onda de calor que prejudicou as árvores de cacau na África Ocidental.
No café, o El Niño pode ser benéfico no curto prazo, mas a longo prazo tende a trazer secas que afetarão a produtividade, especialmente no Brasil, que é responsável por quase 50% da produção mundial de arábica.
Para o açúcar, o fenômeno provoca chuvas excessivas no Brasil, o maior produtor global, complicando a colheita. Em contrapartida, na Índia, segundo maior produtor, espera-se uma redução significativa nas chuvas, afetando negativamente a produção.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.