Um relatório internacional da organização Coffee Watch, intitulado "Veneno no seu café", alerta para os riscos associados ao uso massivo de pesticidas na produção de café, destacando a exposição de milhões de trabalhadores rurais. Embora a presença de resíduos químicos no café consumido diariamente cause preocupação, o foco do estudo é a saúde dos trabalhadores envolvidos na cadeia produtiva.

Segundo Etelle Higonnet, diretora da Coffee Watch, "há resíduos de pesticidas em aproximadamente uma de cada cinco xícaras consumidas pelos consumidores. Mas a verdadeira tragédia é o envenenamento dos trabalhadores". O relatório revela que o café é uma das culturas mais dependentes de pesticidas, com 159 substâncias ativas autorizadas, incluindo compostos considerados potencialmente cancerígenos e neurotóxicos.

Exposição perigosa e consequências

A pesquisa indica que entre 59% e 60% dos pesticidas utilizados na cafeicultura são proibidos na União Europeia devido aos seus riscos à saúde e ao meio ambiente. Produtos como clorpirifós e imidacloprido estão entre os mais preocupantes. Além disso, aproximadamente 25 milhões de produtores e 100 milhões de trabalhadores estão envolvidos globalmente na produção de café, muitos dos quais não têm acesso a equipamentos de proteção adequados.

Impactos no Brasil

Como o maior produtor e exportador mundial de café, o Brasil é um foco central do relatório. Estudos indicam que trabalhadores rurais brasileiros frequentemente aplicam pesticidas sem proteção, levando a casos de intoxicação. O documento também destaca que muitos pesticidas permitidos no Brasil são proibidos na União Europeia, levantando preocupações sobre a contaminação ambiental e a saúde pública.

Alternativas sustentáveis

A Coffee Watch sugere que, apesar do cenário alarmante, existem soluções sustentáveis disponíveis, como sistemas agroflorestais e práticas agroecológicas, que podem reduzir a dependência de pesticidas e promover a biodiversidade. "O café orgânico existe. As soluções existem. A questão agora é saber se o setor está disposto a adotá-las em larga escala", conclui a organização.