Um grupo de mulheres que alegam ter sido vítimas de agressões sexuais e estupros na França está solicitando a abolição do prazo de prescrição, que, segundo elas, impede a busca por justiça em processos criminais. Essa é a primeira vez que mais de 50 mulheres se reúnem para exigir mudanças na legislação francesa, incluindo reivindicações contra figuras como Jeffrey Epstein e seu ex-parceiro, Jean-Luc Brunel.
Atualmente, o prazo de prescrição é de 20 anos para adultos que desejam denunciar agressões sexuais ou estupros às autoridades francesas. Para menores, esse prazo é de 30 anos a partir da data do crime. As mulheres, que formaram um coletivo chamado Vozes de Sobreviventes, afirmaram em uma coletiva de imprensa que essa limitação faz com que seus casos pareçam irrelevantes simplesmente por conta da data em que ocorreram.
“O estupro não expira, o trauma não expira”, declarou Thysia Husiman, que alega ter sido estuprada aos 18 anos por Jean-Luc Brunel, encontrado morto em sua cela em 2022, enquanto aguardava julgamento por suspeita de crimes sexuais contra menores.
A ex-produtora da BBC, Lisa Brinkworth, também se manifestou, alegando ter sido agredida sexualmente enquanto trabalhava em um documentário sobre abusos na indústria da moda. Ela decidiu levar seu caso ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos após seu processo ser arquivado por conta do prazo de prescrição.
Brinkworth revelou que, em 1998, foi orientada a não relatar a agressão por membros da equipe da BBC, o que, segundo ela, teria causado embaraço à corporação. A BBC, por sua vez, afirmou que está disposta a ajudar e que já forneceu materiais relevantes às autoridades francesas.
Um advogado de Gérald Marie, um dos acusados, declarou que as alegações foram investigadas e o caso foi encerrado sem novas ações. A BBC reiterou seu compromisso em tratar a situação com seriedade e em colaborar com a investigação.
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