Por que algumas pessoas parecem encontrar mais disposição para destruir do que para ajudar? Mobilizam-se para pedir a demissão de quem votou em Lula, ameaçam boicotar comerciantes por suas preferências políticas e anunciam que vão interromper ações sociais porque o resultado das urnas não foi o que desejaram. Mas onde estava toda essa energia quando o assunto era combater a fome, amparar quem vive nas ruas ou ajudar famílias sem condições de sustentar os próprios filhos?

Transformar necessidade alheia em vingança

Onde estavam os bolsonarentos onde milhares de pessoas disputavam ossos durante o governo de Jair Messias? Ninguém é obrigado a fazer caridade. Ninguém precisa concordar com Lula, gostar do governo eleito ou abandonar suas convicções. O problema é outro: transformar a necessidade alheia em instrumento de vingança política. É anunciar que quem votou diferente não merece comprar, vender, trabalhar ou receber ajuda.

Contradição entre solidariedade e política

A fome, porém, não tem partido. A criança que precisa de comida não escolhe o voto dos pais. O trabalhador que depende do salário não deveria ter de esconder suas convicções para manter o emprego. E uma pessoa em situação de rua não deixa de ser humana porque o candidato de alguém perdeu uma eleição.

Há uma contradição evidente em quem se apresenta como defensor da família, dos bons costumes e dos valores cristãos, mas considera aceitável retirar ajuda de quem pensa diferente. De que vale falar tanto em solidariedade quando ela desaparece diante de uma urna? Que espécie de caridade é essa que exige, em troca, concordância política?